Após 18 anos a trabalhar de modo convencional (papel e lápis) em arquitectura de interiores sempre fui muito relutante em aceitar e aderir à informática no meu trabalho.
Olhava-a com desconfiança achando que seria uma boa escolha para arquitectura e urbanismo em que o mesmo desenho se repete e que o sempre original que se espera da arquitectura de interiores e da decoração ficasse comprometido com esta nova era de “estranhas ferramentas” de trabalho.
Na passagem para o ano 2000 aceitei finalmente que tinha de aderir à nova tecnologia pois ignorava como ligar, escrever num computador ou mesmo enviar um e-mail o que começava a fazer de mim “uma ave rara” afastada da nova realidade (além de ignorante aos olhos dos mais novos).
Foi nesta altura que adquiri o meu primeiro computador que veio com todos os periféricos e ferramentas (horrorizava-me o facto de poder estragar algo que não era meu) para agora aprender a mexer nesse “monstro”.
Finalmente, tinha de reaprender a desenhar com um rato e ver o trabalho crescer e desenvolver num monitor em vez de no papel.
Foi difícil, esta adaptação mas, ao fim de alguns meses e, à medida que aprendia e percebia o que fazer, já começava a ficar fascinada com esta tecnologia.
Anos depois e após dominar o desenho técnico (2d) veio o 3d, a cor, os materiais e o contrariar sempre as bibliotecas de materiais existentes nos programas e optar por apresentar sempre o possível (existente no mercado).
Todo este esforço de investimento no digital nem sempre é reconhecido pelos fabricantes e fornecedores de materiais que só agora estão a disponibilizar os ficheiros 3d no que concerne a equipamentos e imagens em relação a materiais existentes em catálogo e que é preciso mostrar já aplicados nos projectos apresentados aos clientes.
Esse fascínio continuou a aumentar ao longo do tempo.
Querer apresentar com a mesma qualidade de trabalho de “antes” (analógico) no “depois” (digital) obrigou a uma dedicação sem precedentes.
É uma luta continuada o dominar os programas, conseguir os ficheiros e elementos necessários para um retrato cada vez mais fiel da realidade que é possível alcançar e concretizar.
Exemplos que ilustram a vantagem de poder visualizar o espaço antes do início de qualquer intervenção tanto para o cliente final como para os intervenientes na sua execução.
A decisão de modificar e adaptar está completamente disponível ao cliente sem os custos habituais do “faz e desfaz” real, porque afinal não gosto ou tinha uma ideia diferente.
E agora, com a IA, temos escolhas nunca antes imaginadas.
